Resposta directa
Antes: se a cirurgia for realizada sob anestesia local, deve manter a sua alimentação normal. Se estiver prevista sedação, pergunte ao seu médico dentista que alimentação deve fazer — as indicações variam consoante o tipo de sedação.
Depois: nos primeiros dias, alimentos de consistência mole, frios ou à temperatura ambiente, que não exijam esforço de mastigação na região operada. O regresso à alimentação habitual é progressivo e depende da cirurgia realizada.
Com anestesia local. Não é preciso estar em jejum — pelo contrário. Deve manter a sua alimentação normal antes de vir: nem em excesso, nem em défice.
A razão é prática. Ir para uma cirurgia em jejum, sem necessidade, aumenta a probabilidade de mal-estar durante o procedimento. E como nas horas seguintes a alimentação vai estar condicionada, chegar à cirurgia mal alimentado deixa-o sem reservas para o resto do dia.
Com sedação. As indicações variam consoante o tipo de sedação previsto: uma sedação inalatória não tem os mesmos requisitos de uma sedação por via medicamentosa. Por isso deve perguntar ao seu médico dentista, em concreto, que alimentação fazer e se é necessário um período de jejum.
Quando é indicado jejum, deve ser cumprido rigorosamente: o incumprimento pode obrigar a adiar a cirurgia, por razões de segurança.
Álcool. Deve ser evitado nas 24 horas anteriores.
Medicação habitual. Mantém-se, salvo indicação em contrário. Se toma anticoagulantes, antiagregantes, bifosfonatos ou qualquer medicação de forma continuada, isso deve ser comunicado na consulta de avaliação — não no dia da cirurgia.
Enquanto durar o efeito da anestesia local, tenha especial cuidado para não morder o lábio, a bochecha ou a língua. É uma lesão frequente e evitável, e acontece precisamente porque a região está sem sensibilidade.
Pela mesma razão, evite alimentos e bebidas quentes até a sensibilidade regressar.
Nas primeiras 24 horas, não bocheche com força e não use palhinha: a sucção pode interferir com a formação do coágulo.
A alimentação deve ser de consistência mole, fria ou morna, e não exigir esforço de mastigação na zona operada.
Sopas frias ou mornas, purés, iogurtes, ovos mexidos, peixe cozido, queijo fresco, fruta cozida ou em puré, gelatina. O critério prático é simples: se precisa de ser cortado com faca ou trincado com força, ainda não é altura.
A evitar nesta fase: alimentos duros, estaladiços ou com grãos e sementes pequenas que possam alojar-se na zona operada; alimentos muito quentes, que aumentam o edema; bebidas alcoólicas, que interferem com a cicatrização e com a medicação.
Mantenha uma boa hidratação e não deixe de se alimentar. A cicatrização tem necessidades nutricionais, e comer pouco nos primeiros dias atrasa-a.
Aqui há um equívoco que importa desfazer. A prótese colocada no próprio dia está em função e permite comer — mas a integração dos implantes decorre ao longo dos meses seguintes, e é durante esse período que a carga sobre eles deve ser controlada.
As indicações sobre consistência dos alimentos e mastigação fazem parte do plano de tratamento e mantêm-se durante o período definido, mesmo que já se sinta perfeitamente confortável. Sentir-se bem não é indicador de que a integração esteja concluída.
O regresso à alimentação habitual é progressivo e depende da extensão da cirurgia, do tipo de reabilitação e da evolução da cicatrização. É definido no acompanhamento, e não por um prazo fixo igual para todos.
Em caso de dúvida sobre um alimento concreto, pergunte. É uma dúvida legítima e a resposta demora um minuto.
São entregues por escrito e adaptadas a cada intervenção.
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